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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

RATOS OU APRENDIZES?



"Não há saber mais, nem saber menos, há saberes diferentes"
Paulo Freire

Tenho freqüentado várias salas de aula em cursos de atualização nos últimos meses, pois a questão do desenvolvimento pessoal e profissional é uma prioridade no estágio atual da minha vida. Justamente por isso, tenho refletido muito sobre o que significa a busca incessante do conhecimento e sobre a forma como alguns facilitadores têm se comportado em sala de aula.
Na verdade, a pergunta que não quer calar é: existe conhecimento melhor ou pior? As pessoas podem ser medidas pela quantidade de diplomas que possui?
Não! Essa é a resposta que hoje tenho certeza ser a correta para as duas questões.
A qualidade de informações que você adquire não pode ser comparada à quantidade de informações de qualquer outra pessoa, pois para que elas passem a se tornar conhecimento, deverão ser praticadas e testadas na sua própria vivência. Só assim, você pode se tornar mais conhecedor e mais competente em qualquer tipo de conceito.
Viver cheio de dados guardados em “drivers” em seu cérebro não serve para nada! O que vale de verdade é saber que o seu conhecimento pode ser aplicado na prática, seja à frente da sua equipe, com sua família ou desenvolvendo-se dentro da empresa para a qual você trabalha. Essa é a verdadeira construção de conhecimento.
Buscar cursos, títulos ou certificações apenas para ter um rótulo mais bonito ou um diploma a mais na sua parede apenas tornará você um “rato de curso”, pois é preciso reflexão e prática para aproveitar os conteúdos. Normalmente, ratos de cursos mal têm tempo de aplicar o conteúdo em seu próprio dia-a-dia e vão se tornando pessoas teóricas e com pouca percepção da forma como a prática é diferente dos bancos dos cursos.
O pior é encontrar esse tipo de pessoa no papel de professor. Como ensinar algo diferente daquilo que se pratica no mercado? Como garantir o respeito dos alunos apenas pelo título que possui? Desconsiderar a experiência dos aprendizes é o maior erro que um educador pode cometer. Uma pessoa irá se sentir muito mais motivada a aprender se sentir que pode aproveitar seu conhecimento para melhorar suas competências e multiplicá-lo para outras esferas de sua atividade.
Por isso, ao escolher um curso de capacitação ou até mesmo de graduação, verifique o perfil dos professores e sua história. Muitos auxiliarão no seu desenvolvimento, outros farão o possível para adestrar você e provar que têm melhores conhecimentos.
Lembre-se que não há conhecimento melhor, mas sim, conhecimento mais praticado e que além de competência; gentileza faz toda a diferença nos dias de hoje. Pratique um jeito diferente de aprender, não escolha pelos títulos acadêmicos, mas sim pela possibilidade de ampliar sua própria percepção do melhor caminho.
Não existe um caminho pronto que sirva para todos!


ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado em 20 de fevereiro de 2010
Caderno Opinião - MogiNews

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

VOLTA ÀS AULAS: PASSADO OU FUTURO?!?

Tema recorrente em qualquer mesa em que haja mais de uma mãe ou pai presentes, a volta às aulas é alívio e preocupação. Não apenas pelas despesas com material, uniforme ou matrícula, mas principalmente pela qualidade do ensino oferecido.
Uma pesquisa divulgada pela UNESCO derrubou um antigo mito que eu mesma sempre ouvia nas minhas aulas de Pedagogia: dois terços dos problemas de rendimento escolar são provenientes da forma de ensinar, e não das condições econômicas do país, dos problemas emocionais do estudante ou da falta de estrutura familiar, como se acreditava até então. O fato é que o mundo tem mudado em uma velocidade muito mais rápida do que as escolas.
Alunos vivem imersos em um mundo marcado pela tecnologia e pelo excesso de informação. Precisam dominar habilidades muito além dos conhecimentos tradicionais e transformar sua curiosidade em protagonismo. Mais do que decorar fatos históricos da 1ª Guerra Mundial é preciso que entendam as implicações dos fatos no mundo em que vivem, que aprendam a resolver problemas, interpretar textos e imagens.
Para isso, as escolas precisam oferecer temas transversais que formem cidadãos aptos a fazer as perguntas certas e não apenas que saibam procurar as respostas prontas que satisfaçam o professor na prova, os pais em casa ou o ENEM para passar no vestibular. Isso não tem nada a ver com Educação!
Na sociedade do conhecimento, a Internet derruba as paredes da sala de aula e permite ao aluno-protagonista contestar as informações transmitidas pelo professor, que deixa de ser o dono da verdade e passa a ter um papel de conselheiro e facilitador do processo de conhecer!
São, por isso, ainda mais importantes do que no passado, quando tinham como papel a pura e simples entrega de informação para o aluno. Para mim, professores são os arquitetos do futuro, estimulando os alunos a trabalhar sozinhos, descobrir o conhecimento e resolver problemas! Mas precisam ser capacitados para essa nova forma de educar.
É preciso, portanto, re-imaginar a educação desde o fundamental até a formação de professores buscando a excelência, a erradicação da exclusão social, a transformação das vidas e do futuro de nossas crianças. Dotar as gerações atuais e futuras com as competências necessárias para competir em um mundo mais digital e mais colaborativo é fundamental para o nosso futuro.Um processo de educação mais empreendedora pode estimular o crescimento econômico de nosso país e o desenvolvimento de um conceito muito mais abrangente de cidadania em que os jovens saibam questionar o mundo, sintam-se confortáveis para quebrar paradigmas e entendam que o melhor caminho é não ter nenhum caminho pronto, mas sim conhecimentos e atitudes que lhe permitam construir suas próprias estradas!

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no caderno Opinião - Mogi News
30 de janeiro de 2010

VOLTA ÀS AULAS