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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

RELIGIÃO & ESPIRITUALIDADE


Embora desconheça o autor (ou a autora) do texto, gostei muito desse texto que recebi e desejo compartilhar com vocês. Não pretendo discutir o melhor time de futebol ou minha própria religião, mas sim estimular nossa reflexão sobre crenças e limitações que muitas vezes não refletem a verdade ou nossas próprias convicções pessoais.
UMA GRANDE LIÇÃO 

Em um recente episódio envolvendo os jogadores de um time de futebol paulista numa visita ao Lar Espírita Mensageiros da Luz, que cuida de crianças com paralisia cerebral, para entregar ovos de Páscoa, uma parte dos atletas se recusou a entrar na entidade e preferiu ficar dentro do ônibus do clube, sob a alegação que são evangélicos e não sabiam que se tratava de uma casa espírita.
Os meninos pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa. Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso cada vez mais me convenço que o cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.
A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé.
A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e cada uma das tradições de fé.
Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo, ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião. Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.
O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Alá, de outro os adoradores de Yahweh e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai. E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixam de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus. 
Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas.
E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz. Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, faz com que os discordantes no mundo das crenças se dêem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.
Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina - ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia cerebral.   
"OS LIMITES SÃO FÍSICOS. AS LIMITAÇÕES SÃO MENTAIS"

sábado, 25 de setembro de 2010

SABOTAGEM


Soltar as amarras só depende de você!
Pensar em sabotagem traz logo em mente cenas de filmes onde terroristas e exércitos americanos em guerra utilizam planos suspeitos para que seus inimigos não se fortaleçam e não atinjam seus objetivos.
Na verdade, sabotagem é o ato de impedir o pleno funcionamento de qualquer mecanismo, institucional ou não, que seja contrário aos interesses dos sabotadores.
Já parou para pensar que o sabotador da sua vida pode não ser nenhum terrorista malvado, mas você ou sua equipe?
Em quantos momentos, você esteve pronto para para dar um novo salto ou efetivar uma mudança profunda em sua vida e recuou? Quantas empresas escrevem planos perfeitos, mas na hora de implantá-los parecem não ter fôlego para levá-los até o fim?
A dificuldade de realizar seus desejos ou cumprir seus objetivos não mora no desconhecido, mas na sua própria resistência à mudança.
Qualquer um é capaz de iniciar um novo empreendimento, uma nova relação afetiva ou um novo regime. Entretanto, muitos logo percebem que esse novo não é verdadeiramente novo. Procuram e até exigem os mesmos comportamentos da vida anterior, e pior: cometem os mesmos erros.
A sabotagem a si mesmo é um sério problema não só no universo pessoal, mas também na vida profissional onde se espera que as pessoas tenham sempre sucesso e realizem concretamente os objetivos a que se propõem. Não há mais espaço para “mi-mi-mi”; as coisas têm de dar certo e pronto.
Entretanto, você escuta e obedece ordens de seu inconsciente. Crenças adquiridas quando criança que parecem não deixar que você concretize seus planos pessoais ou profissionais. Afinal, você foi educado para cumprir o que era pedido, sem escutar suas próprias preferências ou considerar suas reais potencialidades. Indivíduos assim não encontram espaço para a mudança ou para a inovação. Não há espaço sequer para a imaginação.
Cada vez que desconfiam de sua capacidade de superar obstáculos, buscam meios de bloquear e paralisar as novas emoções. Preguiça e orgulho serão expressões comuns de auto-sabotagem. Uma sabotagem aparentemente legitima, já que o medo da mudança é maior do que a própria força para mudar.
Quem não conhece alguém que tenha desistido de um regime tendo um milhão de justificativas para sua atitude?
O ciclo da auto-sabotagem se instaura porque o inconsciente quer chamar atenção para as razões profundas que motivam suas ações.
Para descobrir quais são as suas, procure detectar culpas, medos, raivas ou registros negativos de sua infância. Certamente, eles são responsáveis por seus comportamentos repetitivos de auto-sabotagem.
Quando pensar em frases prontas para responder situações inesperadas ou para fugir de situações de conflitos, anote-as e se quiser repetí-las, fuja. Enquanto se auto-iludir com soluções irreais e resistir em rever seus erros e aprender com eles, bloqueará qualquer possibilidade de crescimento ou mudança.
Pergunte-se quem realmente você é e o que deseja ser. Ninguém espera ser terrorista de si mesmo para sempre.
 
ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião - MogiNews
25 de setembro de 2010
Inspirado em O Ciclo da Auto-Sabotagem de Stanley Rosner

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A ARTE DE NÃO JULGAR

Começo o artigo dessa semana com uma afirmação que talvez choque muitos de vocês, mas que quando ouvi fez todo o sentido: Nenhum ser humano é julgável!
Entretanto, julgar tem sido um hábito que aprendemos nas relações mais simples: aprendemos a julgar ao assistir televisão, na escola ou nas relações com nossos pais. Fazemos isso todos os dias, toda hora e pior, sem nos darmos conta.
Somos julgados pela nossa aparência, nosso jeito de falar, de sentar, de se portar. Tenha certeza que sempre existirá alguém por perto que há de tirar conclusões a nosso respeito. Quem nunca foi vítima de um engano desse tipo que atire a primeira pedra.
Mas, o que posso afirmar é que nenhum ser humano é a mesma coisa o tempo todo. Na verdade, cada um de nós tem pensamentos e atitudes que geram situações positivas ou negativas. Isso pode ser julgado, não nossa essência enquanto ser humano.
Ninguém é só gênio ou só idiota. Nenhum rótulo representa o universo de possibilidades que é uma pessoa. Por exemplo, por mais competente que você seja na sua profissão, será que ao assumir uma nova posição será exatamente tão competente quanto é agora? E mais: será que jogando futebol você é tão competente também?
Se a sua resposta foi não para qualquer uma das perguntas, você já conseguiu perceber que ninguém é o que é o tempo todo.
O peso de um rótulo pode levar qualquer um de nós a uma percepção incorreta sobre a vida, sobre si mesmo ou sobre as pessoas.
Nada é tão presumível assim! Já vi casos de pessoas serem tachadas de antipáticas, apenas porque não estavam no seu melhor dia; e que, depois de tachadas, sofreram muito tempo amargando tal rótulo. Afinal, não há órgão mais poderoso no ser humano do que nosso cérebro: basta que se crie uma crença para que passemos a registrar apenas momentos de antipatia de uma determinada pessoa. Parece loucura, mas você sabia que nosso cérebro pensa todos os dias 90% das coisas que pensou no dia anterior?
Então, sempre que se sentir impulsionado a tirar conclusões sobre uma pessoa, pense: “Pessoas necessitam de compreensão e não de hipóteses. Nenhuma pessoa é julgável e todas têm falhas como todo o ser humano”. Colocar um rótulo em si, no outro ou na vida não te ensinará a lidar com a situação.
Não é porque uma moça bonita falou “bom dia” pro seu marido, que ela vai levá-lo pra cama. Cultive em você a segurança, a capacidade de lidar com o novo e de superar problemas.
Fazendo isso, você muda a sintonia de seu pensamento. Você desliga o medo e liga o interruptor da empatia, solidariedade e bem-estar. Nossa vida é muito mais consciente do que percebemos e a maneira como aprendemos a pensar e construir nossas crenças é o maior inimigo na arte de não julgar.
Que tal experimentar?

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado na coluna Opinião - MogiNews
23 de janeiro de 2010