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sexta-feira, 2 de julho de 2010

POBREZA ESTADISTA

Vivemos em um país de cultura estadista. A maioria das pessoas deposita no Estado a responsabilidade exclusiva pelas chamadas “políticas de desenvolvimento”, mas ainda reclama da obrigatoriedade do voto e da necessidade de escolha de seus representantes.
Não pretendo discutir política, mas sim o nível de cooperação e parceria necessárias para uma dinâmica econômica que considere o desenvolvimento humano, social e sustentável de uma região. Desenvolvimento não pode ser responsabilidade de um único ente federativo.
Agentes econômicos, organizações sociais, entidades do terceiro setor, associações de bairros e toda a sociedade civil devem trabalhar juntos para a quebra do modelo estadista de interação produtiva. A indução e efetividade dos compromissos e agendas locais de desenvolvimento exigem cada vez mais interação e protagonismo.
Promover o desenvolvimento é uma tarefa que cabe a cada um de nós. É a nossa forma de ver o mundo e de agir sobre ele que pode gerar as transformações que esperamos que os outros façam por nós.
De que adianta reclamar daquilo que é sua responsabilidade mudar? O que você, seu vizinho, seu patrão ou seu funcionário têm feito para contribuir para o desenvolvimento de sua região?
Apenas reclamar daquilo que é sua responsabilidade transformar não traz nenhum resultado na construção do novo. Ser protagonista é estar apto a desempenhar um papel importante nessa construção e saber escolher quem deverá estar ao seu lado.
Depositar unicamente nas urnas todas as expectativas de desenvolvimento é conformismo demais. É preciso participar e acreditar em estratégias de planejamento e de gestão compartilhada e eleger representantes que também acreditem, pois eles serão os responsáveis pela formulação das normas e regras que possibilitarão processos genuinamente participativos junto à comunidade local.
Uma comunidade que precisa acreditar em sua própria força e capacidade de realização. Uma comunidade que pode identificar, melhor do que ninguém, potencialidades, oportunidades, vantagens comparativas e competitivas, problemas, limites e obstáculos ao seu próprio crescimento. Uma comunidade capaz de estabelecer metas, definir prioridades, monitorar e avaliar resultados; enfim, capaz de gerar desenvolvimento em comum-unidade.
Só a imagem compartilhada de um futuro que se deseja criar pode estimular o compromisso e o envolvimento genuíno das pessoas, em lugar da mera aceitação. Trata-se de romper horizontes e construir novos paradigmas com cidadãos e organizações dispostos a assumir, no presente, as responsabilidades que garantirão o futuro das próximas gerações. A mudança não é fácil: implica mexer na zona de conforto e promover a percepção sobre a importância de uma participação mais ativa de todos nas esferas de decisão das políticas de desenvolvimento.
A inteligência de uma sociedade unida certamente ultrapassa a inteligência individual de seus membros. Protagonismo, cooperação e parceria podem produzir resultados extraordinários em prol das modificações necessárias na estrutura produtiva do nosso país.
Por isso, fomentar o desenvolvimento sustentável de uma região implica em erradicar uma pobreza que vai além falta de acesso à riqueza. Trata-se de acabar com a pobreza de conhecimento e de cidadania, pois é ela que impede as pessoas de aproveitarem as oportunidades existentes ou de descobrirem oportunidades onde elas aparentemente não existem.
ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado para o caderno Opinião - MogiNews
03 de julho de 2010

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

COMPROMISSO SOCIAL TAMBÉM É COMPETITIVIDADE


Trabalhar pelo bem-estar da comunidade deixou de ser atribuição exclusiva de governos e organizações não governamentais para tornar-se também responsabilidade das empresas privadas. Antes, bastava oferecer bons produtos, atender com qualidade e lidar com os fornecedores de forma ética. Hoje, as exigências são outras. Respeito à comunidade e ao meio ambiente e uma política de recursos humanos para atender efetivamente os funcionários fazem parte da denominada Responsabilidade Social Empresarial.
Essa responsabilidade não se resume a apenas tomar ciência do seu entorno, mas em agir de forma ativa para transformar as pessoas e a própria relação com a comunidade no contexto social e cultural.
A gestão estratégica da Responsabilidade Social Empresarial configura-se como elemento central na corrida pela competitividade. Sua prática é uma arma poderosa para fortalecer a imagem corporativa, tornar a empresa reconhecida e conquistar maior lealdade do consumidor. Mas cuidado, pois desenvolver programas para divulgar a empresa ou como forma compensatória não traz resultados sustentáveis ao longo do tempo.
Trata-se de um processo de aprendizagem, que envolve mudança de comportamento e uma nova cultura gerencial. Uma empresa é socialmente responsável quando responde pelos efeitos sociais e ambientais de suas atividades, multiplica os efeitos positivos de seus negócios e tem o planejamento focado para a gestão de pessoas e para o ambiente. Caso contrário, e por mais avançada que seja a gestão de processos operacionais, sua sustentabilidade será caracterizada por instabilidades, como perda de mercado e tendência ao desaparecimento. É com responsabilidade social que a empresa produz a verdadeira distribuição de renda e a melhoria continuada do padrão de vida dos colaboradores e do meio em que atua.
É fato que através de ações filantrópicas, muitas empresas exercem um papel assistencial importante na comunidade, mas essas ações ainda ocorrem de forma esporádica e sem planejamento ou orçamento prévios. Responsabilidade social significa compromisso social e não filantropia.
Felizmente, nessa semana, conheci projetos consistentes que têm compromissos com as questões sociais no Alto Tietê e com ações empresariais internas e externas apoiadas em três pilares: valorização dos funcionários, respeito ao ambiente e contribuição para o desenvolvimento das comunidades em que atuam.
Hoje, 74 % das MPEs realizam pelo menos uma ação social em um ano, embora ainda predominem as ações filantrópicas. Estou certa que a Responsabilidade Social não é uma moda passageira e sim uma tendência irreversível. Aqueles que ignoram essa tendência perderão o bonde da transformação corporativa, que há muito trilha novos caminhos.


Ana Maria Magni Coelho
Publicado em 29 de agosto de 2009

domingo, 5 de julho de 2009

A CONQUISTA DA CIDADANIA

Essa semana vivi um dos momentos mais importantes da minha carreira profissional... Recebi no dia 03 de julho, o título de CIDADÃ MOGIANA.

Um reconhecimento do meu trabalho à frente do SEBRAE-SP e principalmente à minha paixão por essa cidade onde encontrei a Realização profissional + Felicidade em família + Paz de espírito.
O artigo dessa semana, publicado no Mogi News fala um pouco do que entendo por CIDADANIA... Compartilho com vocês...



A CONQUISTA DA CIDADANIA

"Eu preciso participar das decisões que interferem na minha vida. Um cidadão com um sentimento ético forte e consciência da cidadania não deixa passar nada, não abre mão desse poder de participação." (Herbert de Souza, o Betinho)

O conceito de cidadania tem origem na Grécia clássica, sendo usado, então, para designar os direitos relativos ao indivíduo que vivia na pólis e dela participava ativamente, tanto nos negócios quanto nas decisões políticas.
A cultura e a história da colonização do nosso país ainda colocam em nosso povo algumas barreiras para a vivência da cidadania. Somos filhos e filhas de uma nação nascida sob o signo da cruz e da espada, acostumados a apanhar calados, a dizer sempre “sim senhô!” sem prerrogativa a qualquer questionamento.
Passos importantes já foram dados: o processo de transição democrática, o voto direto, a Constituição de 1988... Mas, ainda há um longo caminho a percorrer: desigualdades e exclusão social, posse e uso da terra, desemprego, analfabetismo, etc
Precisamos ampliar a visão sobre cidadania. Não basta votar (de forma obrigatória) e pagar impostos. Cidadania é uma tarefa que não termina. Não é como um dever de casa, onde faço a minha parte, apresento e pronto, acabou!
Não basta que ela nos seja dada, pois, na verdade, cidadania está no exercício e conquista de nossa própria capacidade de participação e intervenção social na busca por mais direitos, maior liberdade, melhores garantias individuais e coletivas de viver, tomar decisões e empreender.
O maior patrimônio brasileiro está no seu povo que tem usado a criatividade e a inovação para superar suas deficiências e gerar oportunidades. Os talentos e competências dos recursos humanos disponíveis são o principal diferencial para crescermos de verdade. Ser cidadão não requer nenhum sacrifício, basta termos consciência de que somos sujeitos de direitos e deveres olhando para os aspectos simples de nosso bairro, cidade, comunidade e agindo naquilo que está ao nosso alcance. Nós somos os protagonistas tanto da nossa vida como da sociedade e a construção da sociedade em que desejamos viver está em nossas mãos. Afinal, quem não participa deixa aos outros a decisão de seu futuro, acabando por ser dominado.
Esse é o meu primeiro dia como legítima cidadã mogiana. Uma cidadania que esteve e está em permanente construção, pois enquanto seres inacabados que somos, sempre deveremos buscar, descobrir, criar e, com maturidade, tomar consciência ampla de nossos direitos e deveres, pois não há uma única tarefa a entregar: nossos filhos merecem um mundo mais justo e novos desafios surgirão, demandando novas conquistas e, portanto, mais cidadania.
Obrigada, Mogi das Cruzes pela confiança!
ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado em 04 de julho de 2009