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domingo, 22 de agosto de 2010

CULTURA E AÇÃO



A cultura é um elemento importante para o desenvolvimento. Não se trata de investimento supérfluo diante de tantos desafios sociais.
O começo do século XXI, marcado pelo crescimento econômico e o avanço tecnológico, traz consigo uma dramática situação social. O incremento da produção não é capaz de resolver problemas graves, como a fome, a má distribuição de renda, a falta de saneamento básico e os desafios climáticos, como o aquecimento global.
Crescimento econômico não traz, portanto, desenvolvimento. O modelo atual não é sustentável. Precisamos pensar em atividades economicamente viáveis, socialmente justas e ambientalmente sustentáveis.
O desafio é enorme e a cultura é uma importante aliada nesta batalha. Elo entre os setores mais diferentes da sociedade, ela é capaz de renovar laços entre pessoas e grupos. Não se trata de pensar a cultura apenas como um mercado produtor de shows, espetáculos teatrais e produções cinematográficas. É preciso, sobretudo, incentivar ações e criar espaços que despertem a importância da vida em comunidade, buscando a inclusão e o acesso do maior número de pessoas possível.
Em Mogi das Cruzes, por exemplo, a valorização da cultura japonesa tem papel fundamental na rica e reconhecida produção agrícola do município. Sem dúvida, o cotidiano de luta, esforço e trabalho de agricultores da região é fundamental para o sucesso de produtos como o caqui, a orquídea ou o cogumelo no Brasil e no exterior. Mas será que sem a promoção de festas e feiras como o Akimatsuri e o Furusato Matsuri haveria os mesmos laços da produção agrícola com sua comunidade?
O incentivo e o apoio a feiras agrícolas, festas religiosas, orquestras, corais, artistas plásticos, peças teatrais e outras manifestações culturais são importantes. Valorizar a cultura de forma local estimula ações de alcance global por meio de estratégias que permitem a descentralização de ações para geração de negócios.
Contudo, festas e boa vontade não bastam. Uma boa estratégia cultural deve considerar também a formação de público e a conscientização da comunidade. Parcerias para custeio de ingressos são capazes de auxiliar nesse sentido, bem como a existência de espaços que sirvam de ponto de encontro para a população, como museus, teatros, bibliotecas e centros culturais.
Enfim, fomentar, descobrir, revelar e valorizar a efervescência cultural de uma região cria uma bem-vinda sensação de vida em comunidade. Criam-se sentimentos comuns, inclusive sobre os problemas que atingem as demais pessoas ao nosso redor. Só assim é possível construir a noção de bem comum que possibilita se apropriar e colocar em prática os conceitos de desenvolvimento sustentável – uma responsabilidade de todos, não só do Estado, da iniciativa privada ou das organizações sociais.
Somos um povo heterogêneo, mas certamente temos a cultura que nos une.

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião - MogiNews
21 de agosto de 2010

sexta-feira, 2 de julho de 2010

POBREZA ESTADISTA

Vivemos em um país de cultura estadista. A maioria das pessoas deposita no Estado a responsabilidade exclusiva pelas chamadas “políticas de desenvolvimento”, mas ainda reclama da obrigatoriedade do voto e da necessidade de escolha de seus representantes.
Não pretendo discutir política, mas sim o nível de cooperação e parceria necessárias para uma dinâmica econômica que considere o desenvolvimento humano, social e sustentável de uma região. Desenvolvimento não pode ser responsabilidade de um único ente federativo.
Agentes econômicos, organizações sociais, entidades do terceiro setor, associações de bairros e toda a sociedade civil devem trabalhar juntos para a quebra do modelo estadista de interação produtiva. A indução e efetividade dos compromissos e agendas locais de desenvolvimento exigem cada vez mais interação e protagonismo.
Promover o desenvolvimento é uma tarefa que cabe a cada um de nós. É a nossa forma de ver o mundo e de agir sobre ele que pode gerar as transformações que esperamos que os outros façam por nós.
De que adianta reclamar daquilo que é sua responsabilidade mudar? O que você, seu vizinho, seu patrão ou seu funcionário têm feito para contribuir para o desenvolvimento de sua região?
Apenas reclamar daquilo que é sua responsabilidade transformar não traz nenhum resultado na construção do novo. Ser protagonista é estar apto a desempenhar um papel importante nessa construção e saber escolher quem deverá estar ao seu lado.
Depositar unicamente nas urnas todas as expectativas de desenvolvimento é conformismo demais. É preciso participar e acreditar em estratégias de planejamento e de gestão compartilhada e eleger representantes que também acreditem, pois eles serão os responsáveis pela formulação das normas e regras que possibilitarão processos genuinamente participativos junto à comunidade local.
Uma comunidade que precisa acreditar em sua própria força e capacidade de realização. Uma comunidade que pode identificar, melhor do que ninguém, potencialidades, oportunidades, vantagens comparativas e competitivas, problemas, limites e obstáculos ao seu próprio crescimento. Uma comunidade capaz de estabelecer metas, definir prioridades, monitorar e avaliar resultados; enfim, capaz de gerar desenvolvimento em comum-unidade.
Só a imagem compartilhada de um futuro que se deseja criar pode estimular o compromisso e o envolvimento genuíno das pessoas, em lugar da mera aceitação. Trata-se de romper horizontes e construir novos paradigmas com cidadãos e organizações dispostos a assumir, no presente, as responsabilidades que garantirão o futuro das próximas gerações. A mudança não é fácil: implica mexer na zona de conforto e promover a percepção sobre a importância de uma participação mais ativa de todos nas esferas de decisão das políticas de desenvolvimento.
A inteligência de uma sociedade unida certamente ultrapassa a inteligência individual de seus membros. Protagonismo, cooperação e parceria podem produzir resultados extraordinários em prol das modificações necessárias na estrutura produtiva do nosso país.
Por isso, fomentar o desenvolvimento sustentável de uma região implica em erradicar uma pobreza que vai além falta de acesso à riqueza. Trata-se de acabar com a pobreza de conhecimento e de cidadania, pois é ela que impede as pessoas de aproveitarem as oportunidades existentes ou de descobrirem oportunidades onde elas aparentemente não existem.
ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado para o caderno Opinião - MogiNews
03 de julho de 2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

MÃES PARA O FUTURO

Empresários têm aprendido, ano após ano, a aproveitar as datas comemorativas como estratégia de promoção de vendas. O apelo emocional que envolve datas como o Dia das Mães deixa o consumidor mais motivado às compras e deveria também provocar reflexões sobre as responsabilidades de cada mulher como mãe! Será que não é o momento de aproveitarmos a ocasião para pensar no planeta que desejamos deixar aos nossos filhos bem como nos filhos que pretendemos deixar ao mundo?
Em um final de semana que comemoramos o dia das mães, não podemos desperdiçar a oportunidade de repensarmos nossos modelos de educação. Educação que é determinada por nossas próprias atitudes e posturas, afinal crianças aprendem respeito e valores através do exemplo de seus pais ou educadores.
É tempo de realizarmos mudanças em nossas próprias vidas em prol de uma sociedade melhor e os exemplos podem ser muito simples: fechar a torneira enquanto escovar os dentes, não demorar no banho, jogar o lixo nos locais apropriados, engajar-se em ações de ajuda comunitária, não depredar o patrimônio natural, limpar o quintal de sua casa, tratar com respeito as pessoas diferentes de você, e por aí vai.
Mudar suas atitudes e mostrar-se presente na vida das crianças pode formar adultos diferenciados para um mundo diferente no futuro. Para isso, conheça seus interesses, valorize mais seus acertos do que suas dificuldades e quando um erro acontecer, critique a situação e nunca a capacidade ou inteligência da própria criança. Estímulos de amor, no falar ou no agir, um abraço ou um beijo nunca são demais para a educação. Crianças precisam aprender regras através de um conviver sadio com pais, professores e/ou adultos firmes, mas repletos de amor, aceitação e confiança que propiciem segurança e uma auto-imagem positiva para que elas assumam sua responsabilidade na interação com o meio-ambiente e com o mundo.
Que tal substituir as palavras tão comuns como fome, guerra, aquecimento global, hipocrisia, materialismo, desigualdade social, preconceito, egoísmo, intolerância, mentira, violência, maldade, terrorismo, ódio, exploração infantil ou individualismo por situações cada vez mais raras de alegria, altruísmo, caridade, cavalheirismo, coerência, compreensão, constância, cooperação, disciplina, empatia, equilíbrio, generosidade, honestidade, humildade, independência, integridade, lealdade, motivação, otimismo, paciência, responsabilidade, sabedoria, sensibilidade, simpatia, sinceridade e tolerância?
Ser mãe é mais do que ganhar presentes dos filhos. Ser mãe é dar filhos de presente ao mundo! Ser mãe é contribuir para o desenvolvimento sustentável formando cidadãos capazes de ser solidários, preocupados com a preservação dos recursos naturais e participantes de um sistema social que garanta emprego, segurança social e respeito a diversidade.
Ao criar o mundo, Deus nos presenteou com uma diversidade de recursos naturais, que poderiam ser usados, mas que também teriam de ser preservados. Durante muito tempo, em nome do progresso e do desenvolvimento econômico, usamos e abusamos desses recursos naturais, e hoje, se desejamos realmente deixar um mundo melhor para nossos filhos, a melhor coisa a fazermos é formar nas nossas crianças uma consciência ecológica desde cedo. Nosso planeta agradece e novos Dias das Mães poderão ser comemorados pelos próximos 200 anos!




ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado em O Diário Empresarial
Sexta-feira, 07 de maio de 2010

sexta-feira, 26 de março de 2010

INSUSTENTABILIDADE

Em uma semana em que comemoramos o Dia Mundial da Água e em que aconteceu o 1° Congresso Brasileiro de Ética nos Negócios, sinto-me impulsionada a escrever sobre sustentabilidade.
Sustentabilidade que no mundo dos negócios possui diferentes dimensões: social na busca por equidade na distribuição de renda para os habitantes de uma região; ambiental no que se refere à utilização dos recursos naturais que são renováveis e na limitação do uso dos recursos não renováveis; econômica na busca por redução dos custos de produção e custos sociais e ambientais; espacial quando se busca um equilíbrio entre a população rural e urbana; e até cultural, pensando na garantia da continuidade das tradições e pluralidade dos povos.
Entretanto, os princípios e práticas do desenvolvimento sustentável, muitas vezes são vistos como conflitantes, pois se as empresas buscam resultados financeiros, aumento de fatias de mercado e, principalmente, sobrevivência e manutenção de sua competitividade, como poderiam também se preocupar com questões de um mundo tão distante de seus balancetes?
Hoje, por pressões sociais ou por restrições impostas pelos grandes varejistas ou pelas normas de exportação, as empresas têm sido forçadas a buscar formas de reduzir seu impacto ambiental e a melhorar sua imagem frente a seus consumidores. O custo ambiental e os problemas sociais que, durante séculos, não foram considerados encargos das empresas por serem tratados como responsabilidade pública, hoje são parte da preocupação de muitos empresários. Afinal, para um futuro sustentável não podemos tornar responsável um único setor. Dependeremos de uma ação responsável e ética de governos, empresas e cidadãos.
Governos deverão assumir seu papel como guardiães do bem comum definindo marcos regulatórios e políticas públicas que privilegiem a sustentabilidade. Empresas, detentoras do poder de transformação e agentes econômicas por excelência, necessitarão minimizar os impactos negativos de suas atividades sobre a natureza e sobre as pessoas, assumir a liderança das transformações necessárias no modelo social e atuar em parceria em prol da reversão da insustentabilidade, reduzindo riscos e maximizando resultados. O tratamento das questões ambientais e sociais como estratégicas pode trazer às empresas benefícios na identificação de novas oportunidades de negócios e a utilização de sua performance ambiental pode ser fonte de vantagem competitiva, auxiliando a empresa a adquirir uma postura mais pró-ativa.
A nós, cidadãos, caberá o dever ético de assumir o papel de agentes transformadores assegurando a longevidade de negócios que gerem trabalho, renda e contribuam para o bem-estar da sociedade. Isto implica em consumir produtos que não causem impactos sociais ou ambientais e, indo além, que contribuam para a recuperação de áreas degradadas ou para a melhoria do desenvolvimento sustentável de uma região.
O fato é que aquilo que vinha sendo feito até agora em termos de sustentabilidade não é mais suficiente. Não é o bastante que marcas façam campanhas ou ações que tenham a sustentabilidade como mote, mas não como valor.
É necessária uma mudança geral!

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado em O Diário Empresarial
26 de março de 2010

sábado, 7 de novembro de 2009

12 anos de CONQUISTAS!


Não posso deixar de utilizar o espaço dessa semana para compartilhar minha alegria e realização pessoal em gerenciar uma unidade no SEBRAE-SP em Mogi das Cruzes há mais de 3 anos. Um escritório que chega aos seus 12 anos sempre trabalhando em prol do fortalecimento das micro e pequenas empresas e do fomento à cultura empreendedora e da inovação.
Diariamente, convivemos com o sonho de pessoas que têm o desejo de evoluir! Evoluir no conhecimento que possuem, evoluir como empresários, evoluir como cidadãos que contribuam para o desenvolvimento e crescimento local.
É uma missão desafiadora, mas ao mesmo tempo gratificante!
Hoje, atuamos com todos os setores da economia respeitando nossas vocações e potencialidades. Nossa equipe tem a missão de interagir intensamente com nossos clientes e ampliar e fortalecer nossa rede de parceiros na busca de resultados que transformem o ambiente empresarial para multiplicar a geração de emprego e renda.
No Alto Tietê, a micro e pequena empresa corresponde à 97% do total de empresas formalizadas (cerca de 54.000 empresas) e gera 56% dos postos de trabalho. E esse número tende a crescer mais e mais.
Por isso, inovar é o nosso principal desafio! É preciso trabalharmos com excelência em todos os níveis, sermos éticos, verdadeiros e estarmos prontos às novas cobranças do mercado que torna nosso cliente cada dia mais exigente.
Desejamos unir o raciocínio produtivo e a ação inovadora para que resultem em uma efetiva vantagem competitiva sustentando os pequenos negócios como principais atores do processo de desenvolvimento local e regional.
Queremos, nos próximos anos, sensibilizar o empreendedor sobre o seu papel nas questões de responsabilidade social e ambiental e auxiliá-lo no desenvolvimento de uma visão de longo prazo que aborde aspectos de integração de ações, formação de equipes, gestão do conhecimento, inovação, abertura de novos mercados e motivação.
Desejamos que cada empreendedor encontre as raízes de seus sonhos e assuma um processo gerencial que equilibre de forma dinâmica suas empresas e o desenvolvimento de nossa região, transformando sonhos em ações verdadeiras! Afinal quando temos um objetivo, não basta buscar realizá-lo, é preciso dar o seu melhor sempre!
E assim, foram esses últimos 12 anos: muitas pessoas dando o melhor de si a vocês, empreendedores.
Consultores que se dedicam de coração ao fortalecimento do agronegócio e dos empresários rurais, fomento ao crescimento industrial, dinamização dos setores de comércio e serviços, valorização da cultura, artesanato e do potencial turístico regional. Isso resume um pouco do jeito de ser SEBRAE-SP! Pessoas que buscam inovar para crescer. Empreender para transformar!


ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado em 07 de novembro no MogiNews

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

MELHOR ACOMPANHADO


Parceria tem sido um termo bastante utilizado para caracterizar um novo modelo de relação entre as várias organizações da sociedade: ong’s, governos, empresas e pessoas.
Tal modelo é altamente benéfico frente ao ambiente empresarial competitivo dos dias atuais, onde as empresas têm de ser flexíveis, inovadoras, responsáveis socialmente e eficientes em termos de custo. Uma vez que poucas empresas dispõem sozinhas das capacitações e dos recursos para demonstrar esse comportamento o tempo todo, cresce cada vez mais o número daquelas que buscam parcerias e alianças, a fim de adquirir vantagem competitiva. Bons parceiros suprem habilidades complementares, conhecimento técnico, bem como outras competências que, de diversos modos, podem auxiliar as empresas a melhorar o seu resultado final.
A atuação conjunta é motivada por interesses comuns não suprindo apenas as necessidades imediatas dos envolvidos, mas constituindo-se como uma forma de ampliar e irradiar os efeitos de um trabalho sensibilizando, mobilizando e co-responsabilizando outros sujeitos em torno de ações em prol do desenvolvimento de projetos.
Mas nem tudo são flores... Muitas vezes, antes que a sinergia aconteça, os envolvidos enfrentam dificuldades de diálogo. Se antes os problemas eram resolvidos isoladamente, neste novo modelo é preciso consenso e análise das particularidades, características e desejos de todos. Mas vale à pena!
Costumo dizer que o problema das pequenas empresas não é o seu porte, mas sim estar sozinha. Por meio de parcerias, uma pequena empresa pode desenvolver novos segmentos de mercado, iniciar novos projetos, captar recursos, economizar recursos humanos e materiais sem prejuízo à sua produtividade.
Para isso, examine as oportunidades de parcerias ou de alianças estratégicas para a sua empresa e tenha clareza do por quê e como quer criar esses vínculos.
Não há uma regra que garanta o sucesso desse novo relacionamento, mas fundamentalmente prefira empresas com quem haja compatibilidade de objetivos e cultura, determine o papel e as contribuições de cada um, compreenda as diferenças e a diversidade como elemento do relacionamento humano e seja ético.
Lembre-se que o vínculo de uma parceria não é um contrato, nem hierarquia formalizada ou subordinação, mas sim objetivos partilhados e o desejo voluntário em permanecer junto e colher resultados. Confiança e colaboração será fundamental em todos os momentos.
Nesta relação aparentemente tão simples, mas difícil de se construir, é que reside o segredo do sucesso de boas parcerias. No coração de cada aliança estratégica há uma ênfase em construir e colocar em ação novas possibilidades que possam fazer a diferença.
E aí, você vai continuar sozinho?

Ana Maria Magni Coelho
Mogi News - Publicado em 17 de outubro

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A MARATONA COMEÇOU...


Conforme prometido, no último sábado o artigo publicado no MogiNews foi um compacto de todas as contribuições do meus amigos que através do blog ou por e-mail me encaminharam suas opiniões sobre as olimpíadas 2016.

Sem dúvida alguma, a maratona já começou...

A realização dos jogos olímpicos no Rio de Janeiro, apenas dois anos depois da Copa, trará oportunidades incríveis para o país e junto a elas uma dose imensa de responsabilidade.
Muitas pessoas ainda discutem os prós e contras desse momento sob o argumento da geração de oportunidades versus a corrupção e os problemas sociais do país. Empregos versus a farra com o dinheiro público ou uso demagógico da conquista. O Brasil, potência olímpica futura versus obras que se tornarão elefantes brancos.
Mas teria um evento esportivo a responsabilidade de resolver as mazelas de um país?
Pensar em esporte é pensar em qualidade de vida, desenvolvimento humano, bem-estar do corpo, da mente e, é claro, de famílias, escolas e comunidades.
Se o problema é o medo de que se repitam os erros cometidos nos jogos pan-americanos, que tal começarmos a fiscalizar já? Certamente bilhões de reais atraem os olhos de muita gente e a população deverá controlar mais de perto, exigir transparência e governança, minimizando tanto os desmandos quanto as incompetências.
Temos que aprender com nossos erros e deixar tudo pronto antes do apito inicial. Espero que nossa paixão pelos esportes nos desperte para a cidadania e participação social.
Essa pode ser a chance de o Brasil reverter sua imagem de “país do carnaval e futebol” e ter sua marca respeitada nas questões de política, segurança e economia. Chegou o momento de deixarmos de ser o “país do futuro” para assumirmos um lugar no presente.
Mas para isso é preciso planejamento e monitoramento sistemático de um plano de ação consistente, com objetivos específicos, mensuráveis e atingíveis para que o jogo não seja decidido apenas no quinto set, quando tudo fica mais dramático.
Às micro e pequenas empresas, fica o conselho para buscar informações, avaliar oportunidades que irão surgir com todo o investimento e EMPREENDER e COOPERAR com os benefícios que o futuro pode trazer para desenvolver o turismo brasileiro, para aumentar as divisas do Brasil, para ampliar a economia, para alavancar negócios, para que novas empresas surjam e gerem mais empregos.
Lembre-se também que as recordações que os turistas levam de um país são muitas vezes intangíveis. Um sorriso, um atendimento cordial ou a resolução de uma situação inusitada. Pouco tem se falado sobre a qualidade dos serviços que serão oferecidos, os quais estão em muitos casos, aquém do que se espera nas questões de hospitalidade e receptividade.
Em seis anos, deveremos preparar o país e não apenas o Rio de Janeiro. A largada já foi dada e após os 400 metros com barreiras, espero comemorar a vitória de um Brasil com maior dinamismo econômico, melhor infra-estrutura e, porque não, auto-estima mais elevada.

Ana Maria Magni Coelho
Publicado em 10 de outubro de 2009

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

EMPREENDEDORISMO: O DESAFIO DA EDUCAÇÃO


Esse é um dos artigos que publiquei pelo qual tenho um carinho enorme.
Cada texto que escrevo, além do conhecimento que adquiri ao longo dos anos no SEBRAE-SP, tem muito das minhas próprias convicções. E educação por ser a essência da minha formação é o modelo que acredito ser capaz de transformar o mundo que desejo ainda viver!
Professores têm nas mãos crianças como essa da foto, cheias de sonhos e esperanças...
E os sonhos nada mais são do que espaços de aprendizagem... a escola, família, igreja podem desenvolver ou aniquilar esses sonhos... O que você quer que façam com os sonhos dos seus filhos???

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Sou mãe e posso garantir que todo ano a volta às aulas é sempre igual. Muito se discute sobre os preços das matrículas, do material escolar e do transporte, mas pouco se ouve falar sobre propostas inovadoras nos projetos pedagógicos das escolas.
Qual é o diferencial que nossos filhos terão ao saírem de suas carteiras escolares e buscarem uma colocação nos bancos das universidades ou no mercado de trabalho?
As grades curriculares são fundamentadas sob os mesmos trilhos desde o início da revolução industrial. Nossos filhos ainda são preparados para ser excelentes empregados enquanto o desemprego é crescente e irreversível em todo planeta.
É preciso mudar o enfoque e prepará-los para serem realizadores. É necessário despertar atitudes empreendedoras nos estudantes. As tendências do mercado para os próximos anos trazem mudanças significativas para os jovens: a revolução científica e tecnológica, a emergência da economia virtual, a integração dos segmentos do mercado, os países emergentes, a importância de aspectos como a responsabilidade social e ambiental.
Não dá para continuarmos usando a mesma cartilha.
Educadores têm nas mãos a oportunidade de despertar alunos e a comunidade em geral para a realidade do empreendedorismo.
O potencial empreendedor do jovem brasileiro é enorme, mas está latente. Muitas vezes ele só aflora na necessidade. A maioria das pessoas não parte para o negócio próprio porque vê uma oportunidade. Muitos conseguem sobreviver e fazer a passagem para o mundo das empresas reais, outros mal sobrevivem ao primeiro ano.
É hora de criar novos motores para o desenvolvimento. É tempo de despertar os jovens para uma nova maneira de viver e de formar uma nova geração de brasileiros. Precisamos destacar a importância da cultura empreendedora em todos os níveis da educação (do fundamental ao superior), e criar um ambiente favorável nas instituições de ensino para formar uma rede de pessoas comprometidas e envolvidas na aplicação do tema.
A educação é o único caminho para colocar esta revolução em curso e criar uma sólida sociedade empreendedora. O processo é lento e começa com a abordagem do tema para as crianças. Esse seja talvez o primeiro passo para uma verdadeira mudança cultural. Posso até imaginar toda a criatividade do meu filho de 3 anos ou todo o vigor do meu filho de 12 anos sendo direcionados para o pensamento empreendedor.
Não imaginem que essa tarefa seja impossível. A metodologia já existe e a formação dos docentes pode ser realizada pelo SEBRAE-SP gratuitamente. Depende muito mais de vontade do que de verbas.
Levar essa idéia para a sala de aula é um desafio que passa pelo corpo diretivo das escolas, mas principalmente pela figura do professor, que se não despertar em si mesmo uma atitude empreendedora vai se limitar ao empreendedorismo como a execução de um bom plano de negócios. Preparar pessoas empreendedoras é desenvolver pessoas dotadas de visão de futuro, perseverantes e preparadas para o processo de sonhar, planejar e construir seu próprio “Caminho Suave”.
Ana Maria Magni Coelho
Publicado em 07 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 31 de julho de 2009

RUMO À CIDADANIA EMPRESARIAL


Esse texto foi o meu 3º artigo publicado em 13 de dezembro de 2008.
Hoje, ao reler seu conteúdo, fico super feliz em saber que essa primeira conquista efetivamente aconteceu.
Algumas questões da desburocratização ainda não têm respostas, mas estamos caminhando!

Há muito o Brasil fala em crescimento sustentável. Como tornar- se um país competitivo e suprir as necessidades de seu povo? Como garantir a melhor distribuição de riquezas e gerar empregos?
Acredito que existem várias maneiras de um País crescer e criar oportunidades, gerando emprego e renda. Certamente, uma das principais vias é por meio do apoio e da criação de projetos que suportam e fomentam pequenos negócios. Mas para isto acontecer, dependemos de ações firmes de vários atores sociais: governos, legisladores, lideranças empresariais, sociedade civil organizada.
No último dia 10 de dezembro, a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade de votos, as emendas do Senado ao projeto de lei que institui a figura do microempreendedor individual (MEI). Um passo importante para o início da conscientização de que as atividades econômicas produtivas devem ser tratadas pelo governo segundo o grau de representatividade social que têm. A proposta poderá atender um público potencial de aproximados 10,3 milhões de empreendedores informais no País. Entre eles estão costureiras, sapateiros, manicures, marceneiros, encanadores, pintores, doceiras e mecânicos. Como atuam na economia informal, normalmente não pagam tributos, mas também não têm benefícios previdenciários.
A regularização dessas atividades menores reconhece a importância e valoriza o trabalhador que as exerce, permitindo o início de cidadania empresarial das pessoas dentro dos princípios da legalidade.
Permite, ainda, identificar tarefas que de fato contribuem para o Produto Interno Bruto(PIB) e que hoje não podem ser devidamente medidas em termos da riqueza que produzem e obriga esses empreendedores a compromissos que eles podem atender.
Se desenvolvimento econômico é mesmo uma decorrência do nível de empreendedorismo da sociedade local, como defendem muitos autores e como eu mesma acredito, é importante a criação de ambientes favoráveis para o surgimento de empreendedores, os protagonistas desse processo!
Temos que nos mobilizar para que a lei seja sancionada ainda este ano a fim de que possa valer a partir de janeiro de 2009. Se a respectiva sanção ficar para 2009, a lei só valerá em 2010.Além disso, não podemos nos limitar ao MEI. Um ambiente propício à maior geração de emprego e renda implica em educação empreendedora, facilidade de acesso à tecnologia e oferta de recursos necessários para empreender.
A mobilização de nossos esforços faz toda a diferença e pode ser a chave para que haja comprometimento e conseqüentemente sucesso das ações empreendedoras.
Numa grande caminhada, é preciso não ter medo do primeiro passo!


Ana Maria Magni Coelho
Publicado no DAT em dez/2008

domingo, 14 de junho de 2009

A RESPONSABILIDADE TAMBÉM É SUA!


No artigo dessa semana, não pude deixar de refletir sobre a participação popular nos processos de desenvolvimento local.

No SEBRAE-SP realizamos inúmeros eventos com foco no engajamento e envolvimento das lideranças em nossos projetos e nas inumeras possibilidade de construção conjunta, mas muitas vezes nos sentimos frustrados pelo baixo nº de adesões.

Essa semana, vivemos uma rica experiência com apresentação dos indicadores socioeconômicos da região no nosso escritório. Sala cheia... Lideranças presenças... Novas propostas... Novos olhares para aquilo que sempre olhamos...

Esse é o caminho! Afinal, não podemos esperar que os outros tomem, sozinhos, decisões de afetarão as nossas vidas... É preciso assumir nosso papel de forma voluntária, com o desejo efetivo de contribuir com a região em que vivemos. Isso é cidadania! É ser protagonista da principal história que temos a viver: a nossa!

A RESPONSABILIDADE TAMBÉM É SUA

Acredito que em um futuro não muito remoto as pessoas serão o fator determinante aos processos de desenvolvimento estruturado e sustentável das regiões.
Pessoas como eu ou você, que com conhecimentos e experiências próprias auxiliarão a construção de novos modelos de gestão e de organização social. Precisaremos deixar de lado modelos antigos e ousar vivenciar o novo, assumindo um papel que nos inspire a construir essa nova realidade e construa uma efetiva rede de cooperação constituída por pessoas e organizações interessadas em contribuir para o desenvolvimento.
O medo do desconhecido pode fazer com que muitas pessoas deixem de participar ativamente, agindo como coadjuvantes que se acomodam frente a decisões de terceiros que impactam diretamente suas próprias vidas.
Há casos ainda mais graves: aqueles que se limitam a considerar apenas o seu diminuto espaço individual, ilhando-se em suas próprias fronteiras. Com isso, desperdiçam infinitas oportunidades de contribuição, concepção e implementação de mudanças.
Vivemos um momento importante no Alto Tietê: início de mandatos das administrações municipais, a concepção do consórcio intermunicipal, o desejo de consolidar a agência de desenvolvimento regional... Fica evidente que novos modelos estão surgindo, com novos padrões organizacionais e novas formas de regulação das relações, criando um campo favorável ao cultivo de uma cultura colaborativa.
Será um caminho repleto de desafios... Enfrentaremos nosso próprio despreparo, a imaturidade e as diferenças presentes na governança, a dificuldade em identificar as necessidades regionais que possam despertar nossas reais vocações, a transição do paradigma da competição para a cooperação até a percepção da interdependência.
Mas não podemos desistir, devemos tratar as diferenças com maturidade. Esse é o caminho que nos colocará definitivamente no século XXI e permitirá que nossa região seja reconhecida com o destaque que merece.
É preciso participar! Cada um de nós deve ter a disposição para ser guiado pela generosidade, pela gentileza e pelo respeito ao outro entendendo que o crescimento de nossa região dependerá do esforço voluntário e integrado de lideranças empresariais e políticas, associações, sindicatos, universidades e toda a sociedade civil.
Afinal quem faz o desenvolvimento regional são as pessoas assumem seu papel de sujeitos da própria história.

ANA MARIA MAGNI COELHO

Junho/2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

UMA CIDADE NOS TRILHOS

Mogi das Cruzes acabou de fazer sua primeira viagem no Expresso Leste... O que você acha disso???
Será uma vitória a comemorar???

Essa é a minha opinião, publicada no Diário do Alto Tietê no dia 09 de maio:

A cidade nos trilhos

Anunciado recentemente, o Expresso Leste chegará a Mogi das Cruzes, o que tem despertado a curiosidade de praticamente de todos nós. Nessa madrugada a primeira experiência será feita, mas para que o trem funcione na sua totalidade de possibilidades sabemos que serão necessárias algumas obras importantes de transposição da linha férrea atual e fechamento de travessias.
Mas o que ganhamos com essa novidade???
Além da facilidade e qualidade de transporte de inúmeras pessoas, esperamos um melhor desempenho e por que não, uma possibilidade maior de desenvolvimento regional.
À medida que a população do Alto Tietê foi crescendo, cresceu com ela os problemas de mobilidade e caos do transito paulistano já vem chegando nas nossas cidades. Não bastam rodízios de veículos ou corredores de ônibus, é preciso que pensamos em grande escala e otimizemos o transporte público quebrando os modelos tradicionais.
Os trens finalmente podem nos ajudar a colocar nossas cidades nos trilhos... Trilhos do desenvolvimento, trilhos da cidadania, trilhos do respeito!
Todos nós deveríamos ter a possibilidade de morar perto de onde trabalhamos. Os longos deslocamentos entre trabalho-casa-trabalho não deveriam nos tirar o precioso tempo que devemos ter com nossas familias, cuidando de nossa saúde ou de nosso lazer.
Adensar a utilização das linhas de trem pode ser uma excelente política de desenvolvimento local. Basta um rápido olhar sobre países da Europa e então perceberemos que os trens podem ser chiques, elegantes e trazer muito mais segurança à população reduizindo os constantes acidentes rodoviários e a individualidade dos automóveis.
Isso ainda parece um sonho aos analisarmos os trens da CPTM, mas se sonhar é uma característica para realizarmos coisas diferentes, que o sonho da revitalização das ferrovias brasileiras e dos trens de passageiros, comece hoje!
Não basta pensarmos no Expresso Leste em Mogi. Espero vê-lo como o indutor do desenvolvimento social, econômico, urbano, turístico e cultural de toda a região do Alto Tietê.

ANA MARIA MAGNI COELHO
maio/2009