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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ENIGMA DO ENCANTO


Quando uma pessoa chega diante do mar pela primeira vez, fica impactada pela beleza e pela força que vê diante de si. Os olhos brilham, o coração se enche de vigor e o corpo estremece. Já quem mora de frente para a praia esquece a maresia, o cheiro e a força dessa maravilha. Olha e não vê, vê e não enxerga, enxerga e já não sente mais nada...
Depois de meses planejando uma viagem, quando um turista desce no aeroporto de uma cidade desejada, quando vê monumentos e ruas que antes só via na TV, quando percorre ruas que antes eram sonhos, fica entusiasmado, tira milhares de fotos, compra postais e jura que um dia vai voltar e reviver essa emoção.  Mesma emoção que passa despercebida por quem mora no mesmo lugar e muitas vezes até quer se mudar pelo incômodo que os turistas causam à sua rotina.
Quando alguém se apaixona por uma pessoa, move mundos e fundos para conquistá-la. Faz coisas que parecem ridículas, contém seus próprios vícios, fala manso, ri muito, capricha nas roupas, cerca a pessoa de todas as formas. Depois de algum tempo da conquista, o comportamento se dissipa e a pessoa se transforma: já não beija mais como antes, não leva flores nem bombons, esquece-se até de mudar de roupa, e por fim, esquece do amor que um dia existiu.
Mas por que o sonho torna-se tão efêmero? Por que a conquista deixa de ter valor?
Uma das causas mais prováveis é porque, normalmente, desejamos apenas o cume da montanha ou a onda mais vigorosa. Esquecemos o bom viver, tornamos a vida uma eterna busca de expectativas irreais, uma procura ansiosa e constante daquilo que pode ser apenas um ideal. Deixamos de curtir a estrada e seus contornos para nos encantar com o fim da viagem.
Por isso, antes de comer uma comida saborosa, cheire seus odores, aprecie a arrumação no prato, prove cada cor, cada sabor e coma devagar.
Antes de terminar um relacionamento, examine a si mesmo. Será que o aquilo você cobra no outro, você oferece na mesma medida? 
Antes de sair do emprego pergunte-se: será que fiz o melhor pelo ambiente e pelas pessoas?
O encanto está nos nossos olhos, o desencanto em nossos corações.
Faça seu coração vibrar diariamente e deixe-se levar pela emoção todos os dias. Descubra o novo no velho e faça de cada dia uma novidade repleta de detalhes amorosos do seu ser. Valorize a simplicidade das pequenas coisas. Visualize as situações por todos os ângulos possíveis.
A vida fica muito mais leve quando aprendermos a dar valor aquilo que está ao alcance!

ANA MARIA MAGNI COELHO

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

GRATIDÃO SEM VERGONHA


Gratidão pode parecer um tema suave ou até mesmo óbvio para sua leitura em um blog cujo tema é empreendedorismo. Talvez você esteja à procura de uma nova lição de liderança ou uma diferente abordagem sobre marketing e vendas. Entretanto, mesmo quando falamos em gestão de empresas é preciso resgatar valores essenciais como amizade, gratidão, lealdade e respeito. Esse é o real sentido do "jogo da vida"!
A necessidade das pessoas em valorizar apenas o patrimônio, a posição profissional ou social faz com que muitos percam o sentido real de suas conquistas. Já escutei inúmeras vezes que no ambiente competitivo das organizações há muito mais pessoas ingratas do que gratas. Talvez seja verdade. E justamente por isso, a gratidão tem poderes incríveis para quem a pratica.
Quando ela se expressa em gentileza, manifestações públicas de agradecimento e, acima de tudo, respeito, tem um efeito e um poder inigualáveis.  Não significa ser subserviente ou submisso, mas sim dar o justo reconhecimento a interdependência e a conseqüência das outras pessoas sobre nossas próprias conquistas.
Quando as coisas estão muito ruins, pode ser fácil dizer "tudo é uma porcaria, não tenho nada a agradecer." Mas, se formos honestos, sabemos que não é verdade. Sempre há alguma coisa, não importa quão pequena, que está em sua vida para a qual você possa ser grato. Pode ser preciso dar um passo atrás para enxergar, mas tenho certeza que há!
Quantas vezes você já parou para agradecer seus pais, professores, líderes e/ou colegas por ser o profissional e a pessoa que você é hoje?
A ingratidão, sentimento muito próximo ao orgulho e a soberba, só faz perdedores. Nunca soube de alguém que tenha ganhado algo sendo ingrato. Empresas ingratas perdem seus colaboradores, seus clientes e vêem seu mercado ruir. Pessoas ingratas terminam sós, amarguradas e sem o respeito de seus pares.
Gratidão requer coragem!
Coragem para reconhecer que nem tudo o que as pessoas fazem por nós é apenas uma obrigação. Temos o péssimo hábito de corromper o sentido real das palavras a partir de nosso ponto de vista ou de nosso estado de espírito. Criamos uma infindável lista de atitudes equivocadas a partir de um conceito que, a priori, não deveria trazer nenhum prejuízo, como é a gratidão.
Ingenuamente, nos iludimos com a certeza de que seremos retribuídos por todos os favores e por todas as ajudas prestadas a outrem. Esquecemos que cada um de nós é livre para fazer o que quiser e, portanto, nem todos agirão conforme nossos desejos e expectativas.
Que tal se em vez de reclamar daquele cliente difícil de atender, você pensar que ele poderia ter escolhido outra empresa para negociar? 
Se atender os seus clientes com gratidão, eles serão leais e indicarão você a novos clientes. Se olhar com gratidão para cada colega de trabalho, construirá um ambiente mais humano e solidário.  Se levar sua empresa a demonstrar gratidão contribuindo em causas sociais e ambientais ampliará suas possibilidades de ter sua marca fixada no coração das pessoas.
Parece simples, mas o exercício da gratidão requer mais do vontade; é preciso ação e atitude.
Se ao iniciar a leitura desse texto, você acreditava que esse era apenas um tema leve e sem sentido a prática empreendedora, avalie suas próprias atitudes e passe a praticar a gratidão sem vergonha de se expor. 
Cultive esse novo hábito na sua organização, sua comunidade e sua casa.  
O senso comum nem sempre é uma prática comum.
Muito obrigada pela leitura.

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no caderno Opinião - MogiNews
09 de outubro de 2010

sábado, 11 de setembro de 2010

ASSERTIVIDADE


Não consegue dizer o que pensa? Costuma fazer trabalhos que são dos outros ou diz “sim” quando gostaria de dizer “não”? É provável que necessite desenvolver um comportamento fundamental: assertividade.
Uma habilidade nobre e rara, que além de economizar tempo, faz com que você conquiste respeito e credibilidade.
Segundo o dicionário Houaiss, ser assertivo é "declarar algo, positivo ou negativo, do qual assume inteira validade com muita segurança, em cujo teor o falante acredita profundamente".
Alguns executivos, entretanto, acham que ser assertivo é sinônimo de grosseria, petulância e autoritarismo. Exageram na dose de autoconfiança e, não raro, partem para o ataque verbal quando são contrariados. Outros preferem adotar uma postura submissa e não defendem idéias porque têm medo de criar atritos.
A linha que separa uma postura passiva, assertiva ou agressiva é muito tênue. Por isso, nem sempre elas são adotadas corretamente.
O comportamento assertivo envolve a expressão direta das suas necessidades ou preferências, emoções e opiniões sem que, ao fazê-lo, você experimente ansiedade indevida ou excessiva, e sem ser hostil para o interlocutor.
Em outras palavras, é defender os próprios direitos sem violar os direitos dos outros. Assertividade é uma escolha que envolve você e o outro!
Por isso, ser assertivo não significa ter o mesmo comportamento com 100% das pessoas em 100% das situações.
Comportar-se de forma assertiva depende da pessoa a quem esse comportamento se dirige (chefes, pais, professores, amigos, crianças) e da situação em que você se encontra (auto-afirmação, expressão de sentimentos positivos ou negativos, comunicados, mudanças).
Entre o comportamento autoritário, que produz o desrespeito às pessoas com quem se convive, e o comportamento passivo, que não manifesta o que se pensa e aceita a invasão e a anulação pessoal, escolha o caminho da assertividade. Dessa forma, você contribui para o estreitamento das relações de trabalho, reduz o estresse, melhora a auto-estima e aumenta as chances de sucesso da empresa. O que não podemos aceitar em um mercado cada vez mais competitivo é a adoção de atitudes extremas e desumanas.
Por isso, planeje seus pensamentos, posicione-se corretamente, desenvolva a percepção sobre a melhor hora e linguagem para se expressar, não responda “sim” para manter o clima de paz, esteja preparado para as possíveis críticas e mantenha o autocontrole.
Além disso, evite falar de forma negativa. Críticas ácidas ou deboches podem ser um pecado mortal.
Use a assertividade para expandir sua inteligência emocional e desenvolver relações mais autênticas, harmoniosas e prazerosas. E não esqueça: para ser assertivo é preciso ser empático. Pense nisto!




ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião - MogiNews
11 de setembro de 2010

quinta-feira, 29 de julho de 2010

APROVEITE OS CONFLITOS

Passamos nossas vidas enfrentando conflitos. De brigas no jardim da infância por causa de um brinquedo até discussões sobre as roupas que nossos filhos querem usar ou o sabor da pizza que escolhemos para o jantar.
Conflito é o processo que se inicia no momento em que percebemos que alguma decisão afetou ou está prestes a afetar negativamente algo que damos importância. E quanto mais importância dermos a esse fato, mais intenso será o conflito.
No trabalho, colegas briguentos, clientes irritados ou chefes que dão broncas sem sentido são o suficiente para nos convencer que temos que aprender a enfrentar conflitos. Qual é a maneira mais correta?
Quando permitimos que os conflitos eclodam de forma negativa, eles podem minimizar a produtividade e prejudicar os relacionamentos das equipes. Contudo, em uma visão mais ampla, conflitos têm muitas funções positivas, pois podem ajudar a resolver problemas de uma forma mais criativa e a pesar nossas próprias convicções e argumentos. Conflitos resolvidos de forma positiva previnem a estagnação decorrente do equilíbrio constante da concordância, estimulam o interesse e a curiosidade pelo desafio, descobrem problemas e demandas à sua resolução.
Seja qual for o tipo de conflito em que nos envolvemos (metas, julgamentos ou normas) tendemos a reagir de maneira igual: assumindo uma posição que defina o nosso território e valide nossas convicções até que possamos entender e cooperar com o outro.
Se você deseja encontrar um caminho para administrar a situação e trazer resultados positivos, busque o caminho da colaboração. De nada adianta evitar ou acomodar as situações conflitantes como se elas não existissem. É preciso o interesse genuíno em atender aos anseios de todos os envolvidos, principalmente quando quisermos melhorar um relacionamento, quando os resultados forem muito comprometedores ou quando se deseja encontrar um consenso.
Para isso, escute ativamente todas as versões que envolvam o conflito, faça perguntas que revelem seu interesse e disposição em resolver a situação, expresse suas próprias preocupações, mas procure afastar seus próprios sentimentos sobre a situação. Fica mais fácil se você depositar toda sua atenção no presente e nos fatos, sem julgar ou tentar adivinhar os motivos da outra parte.
E, se você está administrando essa situação, lembre-se de assumir a responsabilidade pelo seu próprio papel no conflito e utilize a cooperação, a transparência e a assertividade como ingredientes indispensáveis.

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado em O Diário Empresarial
29 de julho de 2010

sábado, 24 de julho de 2010

COMPLEXOS TALENTOS



Estimular as pessoas a assumir responsabilidade pelo seu trabalho, promover um ambiente de desenvolvimento que propicie uma melhor atuação e mostrar como as pessoas podem progredir nas empresas são os três maiores fatores de impulso ao aprendizado e consolidação de equipes.
Empresários, de diversos segmentos e a frente de equipes dos mais diferentes tamanhos, procuram a fórmula mágica para os desafios da motivação e já perceberam que esse é um tema complexo que exige providências em várias frentes de gestão.
Não há poção, fórmula ou receita que funcione para todos!
Contudo, perder o medo e assumir que a complexidade das relações humanas é o material do qual a criatividade emerge, sendo estimulada, não conforme um planejamento prévio, mas através de um processo de auto-conhecimento e de comunicação espontânea auxilia a produção de resultados emergentes e a gestão de empresas prontas a oferecer oportunidades de aprendizado e de desenvolvimento de carreira aos seus colaboradores.
Afinal, quem não conhece alguém que já se desligou de uma empresa simplesmente por não perceber mais oportunidades de desenvolvimento?
Empresas que não motivam seus funcionários arriscam-se a perder as pessoas mais talentosas bem como sua própria capacidade de reagir com rapidez e eficácia às mudanças do mercado. Vem daí a importância em promover a permanência de seus funcionários em sua equipe e potencializar sua produtividade por meio da motivação. Desenvolver um talento não requer apenas preparar os funcionários para um bom desempenho, requer reconhecê-los e deixá-los crescer. Ao perceber que a empresa valoriza seu trabalho e cria oportunidades de carreira, o colaborador se inspira a dar o melhor de si e a usar todos os seus recursos e habilidades.
Força física, dinheiro, tecnologia e informação já ficaram obsoletas como fator decisivo para o sucesso de qualquer empreendimento. Até mesmo o controle de qualidade, certificações, atenção ao cliente e responsabilidade ambiental já são considerados requisitos “normais” para as empresas. O maior diferencial competitivo atualmente (e nos próximos anos) será o talento humano e sua capacidade de inovar!
O novo paradigma do trabalho e da motivação envolve oferecer aos profissionais além de desafios, significado. Todos querem sentir que contribuem de maneira importante para o sucesso da empresa e para a melhoria de seu desempenho organizacional. Cabe ao líder criar um ambiente para que todos tenham atendidos seus desejos de prosperidade, de reconhecimento autêntico, de equilíbrio entre realização pessoal e profissional, de uso da criatividade, de serviço à organização, à humanidade, à natureza, etc. Enfim, de reconhecimento da complexidade humana como meio de aprendizagem contínua e de missão de vida!

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado no Caderno Opinião 
MogiNews em 24 de julho de 2010

PLURALIDADE: BEM OU MAL?


Convivemos com diferentes tipos de pessoas e personalidades nas empresas, projetos ou grupos sociais que freqüentamos. Principalmente, nas empresas tal pluralidade é muito bem vinda, mas torna o processo de liderança complexo na questão do equilíbrio de papéis e do “fazer acontecer”.
Um fator crítico no relacionamento interpessoal é a capacidade de despertar nas pessoas a aceitação mútua da forma como elas realmente são. É preciso aceitar o fato essencial de que os seres humanos são diferentes uns dos outros mesmo que a convivência aconteça entre pessoas que nasceram e vivem no mesmo local, possuem a mesma idade e são da mesma classe social. Sempre haverá diferenças de personalidade, percepções, atitudes, valores, habilidades, aptidões, conhecimentos e experiências anteriores, enfim, diferenças no modo de ser.
E isso deve ser respeitado para o bom andamento de qualquer relacionamento. A incapacidade de aceitar o outro produz duas conseqüências terríveis: primeiro, faz com que o indivíduo inconformado critique o outro a todo o momento, procurando forçá-lo, de todas as maneiras, a mudar seu modo de ser para adaptar-se à própria do primeiro; segundo, faz com que as mais ínfimas diferenças sejam motivo para grandes conflitos, o que torna impossível a convivência.
É comum que nossa forma de perceber o mundo nos leve a julgar, de forma natural e automática, o comportamento do outro antes de entendermos o impacto de determinadas ações para os resultados que esperamos de um grupo e não para as expectativas pessoais que temos sobre as pessoas. Formulamos rapidamente um julgamento sobre a pessoa tão logo tomamos conhecimento do que ela fez e essa rapidez no criticar faz com que, muitas vezes, a crítica seja equivocada.
Não julgar é o primeiro passo para gerenciar equipes em busca de melhores resultados. Requer do líder elevada dose de autoconhecimento e disponibilidade em conhecer o outro, ouvir e buscar uma excelente comunicação interpessoal. A empatia só se faz pela aceitação incondicional do outro enquanto ser humano e com a congruência de valores, propósitos e resultados esperados.
Por desconfiança, arrogância, falta de transparência ou de abertura, as pessoas perdem boas oportunidades de se desenvolver e de auxiliar o desenvolvimento de seus pares.
Aproveitar as diferenças para estabelecer um novo modo de ser e de fazer os resultados aparecerem é o melhor meio para a geração de um clima de confiança e cooperação entre as pessoas.

ANA MARIA MAGNI COELHO
Publicado em O Diário Empresarial
Diário de Mogi - 22 de julho de 2010